-Não pode ser. Não o percebo. - afirmou ele, fitando aqueles olhos castanhos que lhe contavam todos os seus segredos em cada pestanejar.
-Mas é. Tu tens o teu lugar reservado o ano inteiro, numa mesinha ao canto, onde a sombra é a única iluminação dos teus pensamentos e a caneta a tua única companhia feminina.
Acabado de chegar, ia perguntar por ti. Esse gesto era já uma reacção natural, quase tanto como o respirar.
Só depois me lembrei que já não andavas por cá; incapaz de lutar mais contra essa doença, foste numa madrugada.
A recordação da tua ausência doeu, tal como doem todas as saudades.
Somos cada vez menos, meu rapaz…
À tua. Esta é por ti.