fevereiro 17, 2006

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Ele já lá estava há muito tempo, sentado, à sua espera. O olhar tinha fugido várias vezes para o relógio e o brincar com a caneta era agora constante. A espera é algo por ele detestado, encarada como uma espécie de insulto silencioso.
Eis que finalmente ela apareceu, correndo na direcção da sua mesa com uma leveza fora do comum. Os seus olhos estavam bem rasgados de forma a que quase que parecia uma japonesa e o sorriso era largo, mas contido, parecendo um vulcão prestes a rebentar.
Assim que lá chegou abraçou-o com uma força inusitada, sentando-se logo de seguida. Toda a sua expressão corporal era uma contradição: se por um lado se esforçava por para que tudo parecesse normal, vista com mais atenção, toda ela parecia querer explodir, libertar algo de muito forte e sincero.
Com o seu modo desajeitado habitual, passou as mãos pelo cabelo «que se passa?».
Ela, não se contendo, soltou tudo o que tinha guardado. Mas, ao contrário do que tudo indicava, não se sentiu o estrondo de uma enorme explosão. Sentiu-se e apenas o doce assobio de um sussurro «tenho aqui um sorriso para ti».

Publicado por Leto em fevereiro 17, 2006 03:01 AM | TrackBack
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