abril 13, 2006

Pausa

Arrasta-se penosamente como se carregasse toda a culpa do mundo; como se todos os seus pecados o forçassem a vergar.
Durante aquele movimento quase contínuo, acaba por ter várias pausas momentâneas, nas quais olha fixamente para as demais pessoas.

Será que reconhece algo? Será que, nalgum canto da sua memória, recorda a sua outra vida? O que deixou para trás? Será que sente a falta dessa vida? Será que chora sem o saber?

Retoma, então, a sua peregrinação.
Terá escolhido não lembrar? Terá escolhido esquecer? Ou será que apenas afastou as suas memórias, tomando-as por uma ilusão? Um truque do seu corpo e mente cansados? Uma esperança vã do que gostaria que fosse?

Arrasta-se penosamente.

Publicado por Leto em abril 13, 2006 12:20 AM | TrackBack
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